21 de setembro de 2006

Parte I do conto "O Perfume De Beatriz"

Dante era um homem sábio apesar de calado. Romântico e pragmático. Estudou filosofia e medicina, mas acabou se tornando oftalmologista. “Para ajudar os outros a enxergar” dizia ele.
Atendia todos os tipos de pessoas. Aguardava o dia em que teria a chance de “concertar” a visão dos políticos, mas este dia nunca chegou. Via o mundo se transformar num inferno à sua volta até o dia em que sua secretária anunciou a próxima paciente.
O perfume de damas da noite chegou antes que a visão de Beatriz num casaco branco e boina de veludo vermelho. As palavras abandonaram a mente, e o rosto sempre austero do doutor, corou por um instante.
Beatriz dizia estar perdendo a visão das cores. Contava que aos poucos as flores já não eram tão coloridas e o céu parecia estar sempre nublado. Seu maior medo era que o preto e branco tomassem conta de seu mundo até que tudo virasse cinza.
Dante se aproximou e examinou a paciente como de costume.
O que encontrou, no entanto, era diferente de tudo o que havia visto. Os olhos de Beatriz continham tal perfeição que era difícil acreditar ser de um ser humano.
A medida que se aproximava , o perfume ia consumindo sua razão, seus sentidos até que sentiu-se tonto e teve que se sentar para dar o diagnóstico final.
Disse que era um caso raríssimo, uma doença pouco conhecida, mas ele faria um tratamento. Ela deveria voltar às quartas-feiras sem falta ou a doença tomaria conta de sua visão. Assim que Beatriz saiu levando seu perfume, uma falta de ar consumiu o doutor. Preocupado tentou abrir a janela, mas sua visão estava embaçada. O mundo gris girava. A cabeça doía, as pernas estavam fracas.
Ele saiu do consultório perturbado e pela primeira vez na vida não foi almoçar com a esposa Gemma. Tampouco atendeu os filhos ao telefone.
Vagou pela cidade em companhia apenas da imagem branca de uma Beatriz com perfume de damas da noite. Sem saber aonde ir, e ainda enxergando muito mal, foi para a casa do amigo Virgilio.
Contou a história toda, e esperou calado o conselho do sábio. Virgilio, porém, nada disse sobre Beatriz. Olhou o rosto cansado do amigo, e sussurrou algumas palavras. Dante recuperou sua cor e esperou calado. Os dias se foram e na quarta feira pediu que Virgilio o guiasse até o consultório. Assim que Beatriz entrou, sua visão voltou por completo, a falta de ar passou e ele entendeu o que deveria fazer. Examinou novamente Beatriz e lhe contou sobre sua doença, rara e perigosa. Teria que ser internada numa clinica conhecida como Paraíso. O lugar era muito bonito, cheio de flores de todas as cores e tinha também um rio que corria em volta da vila formando uma espécie de ilha. Beatriz parecia assustada, mas não tinha escolha e acabou concordando.

...o final chega amanhã...

3 comentários:

Jef disse...

esse texto me lembrou dois livros. Ensaio sobre a cegueira e Amor nos tempos de colera... rs bom bacana mesmo! "Beatriz num casaco branco e boina de veludo vermelho" não vai dizer que ela era filha do Ernesto Tchê? Rrsrsrs t+ espero o fim!

Yan disse...

pelo que li em um post, vc é pintora né? pow...acho mt bacana isso. Queria ter esse dom :(

rsrsrs.....

mt obrigado por ter comentado no meu blog ;)

bjinhos!!!
se cuida!!

Fernando disse...

pena q era um sonho