8 de julho de 2014

O Caos e nós





Então encontramos o caos. A raiva. Os problemas. E o que fazemos? Lutamos, usamos toda a nossa força para afastar o caos de nós.

A única forma de viver em harmonia é abraçando o caos. Tudo o que a vida coloca diante de nós é exatamente o que estamos precisando. O quanto antes entendermos isso, melhor.

Meu Momento


As vezes é preciso deixar desabar nosso castelo de papel, para com as pedras encontradas na estrada, construir outro mais forte. Mas ainda sim é bom saber, ele também pode cair, afinal, tudo é transitório.

22 de abril de 2014

A caminho do Jô Soares, na Ana Maria


Eu sempre tive vontade ir ao programa do Jô e da Marília Gabriela. Do Jô, eu fui, mas ainda não como entrevistada. Fui acompanhando uma amiga querida, a cheff Dahoui. Na Marília Gabriela, ainda não passei perto, mas hoje apareci na Globo!
Sim gente, eu também tenho minhas "futilidades". Se é que esse amor pelas câmeras possa ser chamado assim. Pois eu levo bem mais como uma paixão pela comunicação.
Chamem como quiser, mas vejam lá como estou no Programa "Mais Você".
Assistam aqui!
E acompanhem minhas receitinhas no Panela e Tênis.

bjs

21 de janeiro de 2013

Presa

Estou presa. Presa numa certeza de ser livre que me assusta.
Tenho medo de sair por aí fantasiada de mim e não saber mais como voltar.
Nem sempre consigo fugir desse carnaval. As máscaras me perseguem e algumas são feitas de tamanha verdade a ponto de passarem por falsas. A verdade assusta. Engana. Como as flores. Ao admirar uma orquídea outro dia, não resisti, tive que tocar para acreditar. Era perfeita demais, parecia mentira.
Mas por que é mesmo que desconfiamos tanto? Queremos a beleza, mas duvidamos daquela que temos. Precisamos da comprovação do mundo.
E quem comprova o mundo?

Eu quero sair e me perder. Quem sabe eu me encontre? Acontece, sabia?

19 de janeiro de 2013

Lance e a Hipocrisia


"Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver" Cazuza 


Hipocrisia! Esta é a palavra do momento.
Ex garota sexy das páginas das revistas masculinas “inventando” leis a favor da família e bons costumes. Milhões de pessoas, muitas delas, sonegadores de impostos, racistas, ou pessoas comuns, leia-se, passíveis de cometer erros, não apenas condenando, mas crucificando um antigo ídolo. Sabe o que isso me lembra? Os filmes do Oriente médio onde eu via pessoas penduradas em praça pública sendo apedrejadas e com seus corpos queimando, enquanto uma plateia faminta de “justiça” assistia extasiada.

Que mundo é esse em que vivemos? Eu não tenho ídolos, se tivesse, seriam os milhões de brasileiros anônimos que pegam todo dia 3 “buzão” para trabalhar e no final do mês recebem um salario insuficiente para uma vida digna, mas que milagrosamente terá que sustentar toda uma família. E a culpa é do patrão? Claro que não. Vivemos numa realidade invertida onde poucos têm o que merecem e muitos roubam o que tem. Triste? Sim, muito triste, mas é assim que estamos acostumados a viver. Esta é a nossa “caverna de Platão”.  Mas isso é coisa antiga, faz parte da vida, então quem vai se revoltar, arregaçar as mangas para tentar mudar? Ficar irritado ao saber de mais um roubo absurdo no governo? Não! Já estamos acostumados, como escuto por ai. Isso é o “normal”.

Agora o que esperar de um ídolo? Um atleta que teve nosso apoio. Que apoio? Quem são vocês que estão ai gritando ter perdido um ídolo? Quantas corridas de ciclismo assistiram? O que vocês sabem do mundo dos “pobres coitados que tentam competir limpos”? Ora, tenham um mínimo de bom  senso. Você aí que está usando palavras de baixo escalão para julgar seja lá quem for. Você que trabalha sei lá com o que? Nunca fez uma transação ilícita? Nunca burlou o sistema? Nunca deixou de pagar um imposto ou fez a velha malandragem de pedir recibos de consulta para seu médico e pegar reembolso com o seguro de saúde? Ah ta, mas isso faz parte do seu trabalho, não é? São, como dizem, “ossos do ofício”. Então tá certo, vai lá subir no topo da hipocrisia e aponta as pedras para quem fez do ciclismo seu trabalho e também cometeu os tais ossos do ofício. Se eu acho certo? Não! Acho um absurdo. Assim como acho um absurdo quando vejo alguém subornando um guarda na estrada. Mas acontece. Acho triste ver um cara que inspirou milhões de pessoas, no final das contas ser o que? Um louco como o Dr. House do seriado. Um maluco capaz de ser maior que todos em tanta coisa, inclusive na falta de escrúpulos. Um cara que destruiu a vida de dezenas de pessoas com processos injustos. Mas e agora? Qual a pena desse cara?

Vamos pendurar o Lance em praça pública e cada um de vocês que nunca cometeu os crimes dele, mas que também nunca subiu numa bicicleta ou passou anos treinando, como só é possível para um louco, vai pegar uma pedra e jogar? É isso? É isso que somos? Um bando de seres que se dizem humanos mas querem sangue?

Quantas pessoas usaram a “falsidade” dele e criaram forças para enfrentar uma doença? E ai? Se curaram? Mas e agora? Vamos apedrejar pois era tudo mentira. Tudo bem que mesmo a mentira serviu para pessoas que precisam desses ídolos para vencer. Pior que isso são os que destilam seu ódio dizendo com autoridade de cientista vencedor de Nobel, que a doença também foi culpa dele. Claro, ele planejou este câncer. Planejou a cura e tudo o que seguiu.

Ah se a vida fosse assim tão clara. Ah se pessoas fossem monstros ou anjos. Minha dúvida é principalmente uma. Somos realmente quem dizemos ser? Ou somos nossos julgamentos, nosso ódio? O que faz de uma pessoa melhor que a outra? Existem pessoas melhores? E o que faz de nós juízes da raça humana?
Se estivesse em minha mãos julgar, eu o condenaria o Lance. Tomaria os títulos, faria a justiça, como está prevista na lei em relação à seus atos. Se coubesse a mim o veredito, seria culpado! Mas a pena a ser cumprida, esta eu deixaria para quem tem mais competência do que eu para julgar, afinal, o que eu sei de um mundo em que nunca estive? O que eu sei de uma pessoa com quem nunca conversei? Só sei que é culpado, mais nada. Mas será que isso é tudo?

7 de janeiro de 2013

A Bela e o Mar


Depois de conversar com Cecília Echenique, não tive dúvidas, me mandei para o Nordeste, Jericoacoara para aprender kite nas férias do reveillon. 
A estilista, conhecida por suas criações cheias de personalidade no mundo da moda, tem talentos além das agulhas e me contou sobre suas aventuras no mar. Campeã brasileira de vela, viajante e aventureira, é uma das minhas inspirações no mar. Assista nossa conversa em mais um programa "Be Side". Para a matéria completa, baixe o app OnOn.
E vamos começar 2013 com muita energia.


19 de dezembro de 2012

Tem dias que a gente fica tristinha, mas passa, isso também passa...

To numa abundância de tristeza que não sei não. O jeito é colocar máscara de sorriso e sair dançando. Vai que a alegria se engraça e vem chegando. Tem horas que eu só queria ser mais rasa. Assim quando me metesse a besta e tentasse mergulhar, a cabeça não passaria da borda. 

7 de dezembro de 2012

Be Side, conhecendo o lado B de você.


E não é que um dia ele chega. Passamos anos imaginando, sonhando, planejando. A vida segue e ele, o nosso sonho, vai andando conosco até nos acostumarmos e é mais ou menos nessa hora que ele nos assusta. Se torna real e sai derrubando expectativas, quebrando paradigmas e claro, causando aquele frio na barriga tão conhecido das crianças em noite de natal.

A minha hora chegou! Sempre fui apaixonada por uma boa conversa e costumava brincar com amigos que meu sonho era ter um programa de entrevistas. Eu já havia me acostumado com ele como sonho e estava feliz assim. Até que caí na loucura de querer muito e acreditar em anjos. Isso é um perigo. Um anjo chamado Adriana Calabró apareceu e falou: Você quer um programa? Então vai ter!
E assim, como numa passo de mágica seguido de muito trabalho ele nasceu e está crescendo.

Minha vontade explorar o "outro lado" das pessoas se transformou no "Be Side", programa de entrevistas que habita um plano super hi-tec. Vive dentro do app OnOn, disponível para Ipads e tablets e mais. Já vem de fábrica em todos os devices Semp-Toshiba e HP.

Agora divido e convido vocês a sonhar comigo. Conheçam e me contem o que acham. 

7 de novembro de 2012

Triste

E quem disse que alegria tem que ter motivo? A tristeza também não. Tem alegria que começa sorrindo e acaba encharcada. E quem vier com receita, pode mandar voltar. Só sei que to com vontade chorar e isso significa apenas uma coisa. Tá na hora de ligar a música bem alta e me mandar sair até a vontade passar. 

1 de novembro de 2012

Dica do Dia

Momentos que decidem o nosso futuro são raros, cada vez mais raros. Na juventude temos milhões de estradas para escolher e não carregamos mala nenhuma. Com o tempo nossas bagagens vão ficando pesadas e a vista já não é tão boa para encontrar estradas novas. Por isso, de vez em quando, deixe as malas no chão, escolha uma estrada nova só para variar. Surpreenda o seu destino, sinta sua vida nas suas mãos e use-a enquanto você ainda a tem, pois pode acreditar, o tempo passa e se temos controle sobre nossa vida, o mesmo não acontece com o tempo. Fazer escolhas é uma dádiva, aproveite!

21 de setembro de 2012

Screw Art

"A arte, felizmente, ainda não soube encobrir a verdade." Oscar Wilde

Muita gente tenta entender a arte, nomear, explicar. Eu acho que sua função é justamente o oposto. Confundir, emocionar, nos tirar do lugar seguro e propor outra forma de ver o que sempre esteve alí, bem diante dos nossos olhos.

Tudo pode ser arte, desde que você olhe para aquilo e entenda que alguém genial, que só pode ser chamado de artista, mudou uma coisa banal de lugar, e esta simples mudança criou o que já não se pode mais chamar de coisa.

Muitas vezes entro num museu e fico olhando até que o sentimento vem. Não me importo se sei o que o artista quis dizer, quis passar. 
Quando eu pintava, mesmo fazendo vários rascunhos, pesquisando sobre temas, mitos, línguas extintas, o que eu buscava era exatamente o que busco quando escrevo, tirar uma emoção de dentro do observador ( leitor). Não considero arte o que já está pronto. Acredito numa "parceria" entre obra e observador.

A arte deve tirar o que temos dentro, por isso, não basta ter aula de história da arte. É preciso viver, sentir, ter emoções prontas a traduzir o que enxergam nossos olhos. Quem admira, completa ou não uma obra. Uma pessoa vazia, dificilmente encontrará o que a arte nos dá. 

Um belo exemplo é Andrew Myers e seus parafusos. Tente não se emocionar ao dar de cara com uma de suas obras.

15 de agosto de 2012

Amando em dose Dupla


Amar é bom, mas como tudo, quando é muito, pode machucar.
É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Responde que não, aqueles que vivem conforme lhes foi ensinado a sociedade, a religião e a cultura da culpa.

No amor verdadeiro não cabe traição, pensamos. Mas o que é traição? 
E principalmente o que é amor? Quem ama de verdade é capaz de trair?
Mas de onde vem o amor? 
O amor vem da nossa alma. Dela que é imoral, que não respeita as convenções e nem as regras da sociedade. Dela que se faz nua e nos deixa loucos se não escutarmos o que tem a dizer.

O amor é inerente ao ser humano. Ninguém, nem mesmo as pessoas mais racionais estão livres dele. 
Já foi considerado uma droga, por Platão. Já foi motivo de glória pela igreja.
Mas o amor é simplesmente ele e mais nada. Assim como os fenômenos da natureza, ele passa arrebentando tabus, destruindo famílias, fazendo ruir os preconceitos. 

Nós todos somos capazes de amar muitas pessoas. Claro que cada amor é representado de uma forma. Amamos nossos filhos, pais e amigos de forma diferente daquela que amamos nosso parceiro emocional.
Mas quero falar do amor de almas, que pode ou não ser vivido por homem-mulher. O amor que está acima do bem e do mal. Regras são meras pedras a serem deixadas pelo caminho de quem se depara com ele. Este amor não respeita nem a mais básica das regras, a dos opostos. O amor do qual falo é arrebatador e não escolhe sexo. 

Por viver em parte na ficção, é lá que encontro a verdade. São nos personagens desprovidos da obrigação da realidade que observo o amor se manifestar com toda a sua força. 
Capitú, Scarlet O’Hara, Ana Karenina, Lara de Dr. Jivago e Bela do atual Crepúsculo.

Somos todos reféns nas mãos desse sentimento que aparece sem ser convidado.
Como não sofrer com o amor dividido entre os irmãos em “Lendas da Paixão”? Qual deles é o amor maior? Qual merece ser vivido e qual deve ser sacrificado?

Como não entender a dor de um marido que ao se apaixonar e amar de verdade outra pessoa, sofre as consequências para não machucar seu grande amor, a mulher, com quem ficou casado mais de 40 anos ( Sean Connery em Corações Apaixonados). O arte, como sempre vem antes de nós e, de forma simples, coloca nossos tabus numa panela e faz uma bela palla ao estilo "Dieta Mediterranea"

A arte imita a vida e nossos corações não seguem ordens, nem lógica. Somos senhores dos nossos destinos, mas seremos sempre escravos dos nossos sentimentos.

A Carta


Costumo dizer, e acredito, que o mês de agosto, mês do meu aniversário, é mágico. Desde pequena acreditei nisso, e talvez seja este o motivo dele ter se transformado em conto de fadas.

Muitas das datas que marcaram minha vida, aconteceram justamente em agosto. A primeira exposição na época em que eu pintava quadros, o primeiro beijo. O lançamento do meu primeiro livro.

Agosto é minha primavera. É quando me sinto mais bonita, é quando acredito de novo que sonhos são apenas rascunhos. E se envelheço um ano cada vez que viro as páginas deste mês no calendário, sinto-me sempre mais jovem de alma, quem sabe pelos passos que vou dando em outra dimensão, onde o nosso tempo nada significa, se não números. O fato é que em agosto, tudo pode acontecer, pelo menos para mim.

Acabo de receber meu primeiro presente de aniversário. Uma carta! Quando vi o envelope, tímido entre as contas, tantas contas. Duvidei. Antes de abrir, pela transparência do papel, notei várias linhas escritas à mão.
Ninguém “perderia” tanto tempo escrevendo cartas publicitárias ou de pedido de doação. Investiguei o envelope e me surpreendi ao saber que a carta vinha de Boa Esperança, cidade onde nasceu meu grande ídolo da música, Nelson Freire e também uma grande mulher, minha mãe.

Mas a letra, delicada, escrita com a calma que só quem mora no interior tem, não poderia ser da minha agitada mãe.

Ha quanto tempo eu não segurava uma carta de verdade. Carta escrita com carinho. Vislumbrei uma pessoa sentada em sua escrivaninha, de onde tirava com cuidado uma caneta e mergulhava por inteiro em mim. Sim. Para escrever uma carta, assim como para tocar piano, não se pode pensar em outra coisa. Cartas, diferentes de computadores, não tem outras janelas chamando nossa atenção. A carta é a estrela. Branca, aguarda paciente palavras serem colocadas, uma a uma.

Falava sobre meu livro, sobre cada parte dele. Da capa, epígrafe, e do texto. Não apenas o texto por completo, mas partes dele. Citava ainda palavras minhas, reescritas por suas mãos atentas.

Emocionada, deixei todos os outros envelopes, que em nada me interessavam e sentei no sofá com a calma e atenção que uma carta merece.
Li e reli atenta a força de cada ponto, vírgula. Podia sentir a respiração sábia de quem tem o tempo como súdito.
Três páginas depois, aprendi sobre meu próprio texto. Encontrei significados escondidos não apenas nas minhas palavras, mas na minha escrita.
E finalmente cheguei à última e mais importante palavra. Jane, o nome de quem me lembrou onde nasce a escrita e para onde ela deve ir.
Obrigada, Jane, por meu primeiro presente de aniversário.

13 de agosto de 2012

Matando por Engano


Arma carregada.  Cheia com a melhore das intenções. Mira no bandido. Acerta a mocinha. E agora? Vai culpar a vítima por ter se posicionado a 45º a direita da sua mira, pegando de frente a bala que saiu da sua arma?

Como pode alguém querer responsabilizar o outro, que nada fez além de escutar, pelo sentido de nossas palavras? Não concordo.

A palavra é nossa arma, o sentido a direção. Errou a mira? Culpa tua! Somos responsáveis por tudo o que fazemos, isso inclui, claro, falar.

É por isso que acredito ser imprescindível para uma vida saudável entre as pessoas, o aprendizado da comunicação. Esta é nossa arma mais potente e pode em alguns casos, chegar ao cúmulo de cometer um suicídio involuntário.
Se é para matar ou fazer viver. Que se faça consciente.

Ninguém diz que não gosta de você com intenções de dizer que gosta. A palavra é simples, assim como seria nossa vida e nossas relações, se não colocássemos tanta coisa entre elas.

Quer falar algo importante? Pense antes. Imagine as possíveis formas de se falar uma mesma coisa. Quase sempre não há muitas , há apenas uma, a verdadeira e direta.
A mania de dar voltas nos complica, implica em mais palavras, mais sentidos a serem desvendados e vai levando quem está na sua mira para o alvo.

Seja claro. Seja simples. Seja honesto e muito provavelmente sua pontaria estará em melhor forma.

Palavras, assim como balas ou flechas, não fazem curvas, vão aonde nós mandamos e uma vez soltas, não voltam. Ferem. E acredite, é mais fácil consertar uma arma do que corrigir a cicatriz. Por isso fica aqui minha dica.

Deixe as desculpas para os outros. Use sua arma e acerte onde mira, ou vá ao enterro das suas boas intenções vestindo um terno listrado.  

14 de junho de 2012

Rebeldes ou moleques?

Cripta do movimento "Pixação" jogando tinta no curador 
A arte sempre me acompanhou. Antes mesmo de entrar para faculdade de Belas Artes, em plena adolescência, minha família e eu já me considerava artista. Algumas vezes cheguei a pensar que talvez fosse este o sinônimo de rebelde, já que era a segunda palavra usada para me tratar, carinhosamente ou não.
Cresci assim e acabei me acostumando. Se eu tinha um problema, me trancava na "lavanderia", um quarto enorme com varanda, pensado para ser uma lavanderia e roubado para mim, o que foi bem simples já que nenhum dos meus 4 irmãos se interessou em entrar nessa disputa.

Comecei pintando Snoops, e fui crescendo junto com as telas, tintas e claro, a revolta. Aos poucos acabei me acostumando com o tal sentimento de conflito em que diziam, eu vivia mergulhada. Até eu estranhava quando concordava com tudo.

Meu mundo foi sendo escrito em cores e símbolos. Desde muito nova me apaixonei pela mitologia. Usava estas histórias como uma fantasia para encobrir o que me incomodava no mundo. Eu não entendia nada de arte, pelo menos não da arte que ficava dentro dos museus que eu costumava frequentar. O que eu sabia era que algumas coisas ali dentro tinham a incrível capacidade de mudar outras coisas, que eu nem sabia o que era, dentro de mim.

Me lembro da emoção que senti ao olhar uma tela gigante com cores frias, cabeças cubistas que pareciam se contorcer de pânico. A Guernica também olhava para mim. Me desafiava a entender aquela língua um dia também chamada rebeldia.

Muitos anos depois, a Guernica continua em Madrid. Eu continuo sendo chamada de artista e claro, a rebeldia continua meu apelido. Mas a arte saiu dos museus, subiu em prédios, cobriu muros e brigou por cada centímetro do seu direito de ser. O que nunca mudou e dificilmente mudará é a tal da "coisa". Aquela coisa que mesmo um leigo sente ao se ver diante de uma obra de arte.

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade", disse uma vez Pablo Picasso. E é exatamente esta mentira a máscara usada por todos os artistas. Mas o que a torna verdade? Em minha opinião, ha apenas uma verdade para cada artista. Minha máscara será arte em mim e pode até inspirar arte em outro, jamais será arte em outra pessoa.

Cada um de nós é absolutamente único, tanto fisica como intelectualmente. Ainda que muitos sigam o senso comum, este nunca será o senso de todos, mas apenas um lugar seguro onde a maioria escolheu ficar. Talvez seja este o motivo de tantos artistas serem considerados "diferentes" ou "rebeldes".

Mas isto não torna todos os rebeldes, artistas. Para que a arte aconteça fora, é preciso estar antes dentro de quem a cria, ou não existirá de fato. Por isso considerei muito mais um ato de rebeldia feito por moleques, do que um protesto artístico, o que o grupo de brasileiros, convidados para nos representar na Bienal da Alemanha aprontou. Jogar tinta no curador? Onde está a arte disso? Contra o que ou quem eles estão protestando? Ou será que os nossos artistas foram pegos usando máscaras de outros?

Para ler sobre o acontecido da Alemanha clique aqui.

24 de maio de 2012

Até que o Facebook os Separe ?


O pecado mora em frente, no Facebook. A culpa é do FB. Não use muito. Evite escrever o que pensa. Cuidado com as fotos.
Escuto isso diariamente e sabe o que acho? Um grande exagero. Sim, gosto muito do Facebook e ainda não houve um “tropeço” para que eu culpasse o tal demônio das relações.
Outro dia estava conversando com uma das minhas irmãs, jovem, bonita, apaixonada. Posso dizer que, junto com seu marido, formam um casal encantador. Ela me alertava quanto ao perigo do FB. Discutíamos sobre uma pesquisa feita nos EUA que dizia ter o FB citado em 1/3 dos processos de divórcio. Além disso, 80% dos advogados que cuidam de processo de separação, afirma que a causa dos divórcios seja o “estímulo” de traição provocado pelo Facebook. Imagino que seu criador esteja fora da tal pesquisa.
Depois de ter morado por muitos anos nos EUA, tenho a “cara de pau” de discordar. Primeiro porque acho que o erro começa no motivo. Os americanos casam-se por interesse e não por amor ou afinidade (claro que existem exceções). Podem até se apaixonar por uma pessoa interessante, mas o interessante deles é diferente do nosso. São criados numa sociedade totalmente consumista, onde tudo é substituível.
No mundo todo existem pessoas interesseiras, mas não são elas que estão em pauta aqui. Falo daquelas, ditas e entendidas como normais segundo as regras de cada sociedade. Assim como os indianos escolhem os maridos das filhas, o que muitas vezes dá certo. Os americanos escolhem por quem se apaixonar.
 Depois desse começo, vem o FB e mostra a cara, a verdadeira cara de cada um, afinal, não é mais possível viver sua mentira sozinha (o). Estamos na era Big Brother. Melhor se cuidar, está todo mundo de olho em você.
A meu ver, fica claro que o FB não é a causa, mas o resultado de casamentos fadados ao fracasso.
Se antes a senhora chiquérrima, respeitada por suas jóias e casamento “perfeito”, vivia em seu mundo de bolha cor de rosa, onde amantes transformavam-se em diamantes. Hoje as aparências não enganam tanto assim.
O que vale ganhar presentes quando a foto do marido está estampada na página de uma gostosona? Para onde foi a preciosa aparência?
 O Facebook não inventa pessoas, não coloca máscaras. Ao contrário, ao escolhermos as máscaras que queremos mostrar, nos revelamos, mostramos o que de fato importa. Nunca foi tão fácil conhecer alguém. Nunca foi tão difícil se esconder do mundo.