25 de maio de 2007

Novela

Olhei para a televisão, sempre desligada. Estava me arrumando para sair e como de costume fiquei pronta mais rápido que o amigo que viria me buscar. Sentei junto com uma curiosidade meio infantil. Quanto tempo faz que não assisto uma novela, ou algum programa cheio de mulheres fofoqueiras e homens infiéis? E o jornal? Como leio o estadão de manhã, nem lembro que existe um jornal na tv.

Minha curiosidade ligou a TV. Dei de cara com um ator, acho que era o Marcos Pasquim, de jardineira, sem camisa, no que me pareceu uma reunião com o diretor da escola do filho. Na próxima cena, os peitos da Juliana Paz falavam com quem passava desse lado da tela. Antes que eu começasse a duvidar do bom senso e da sanidade mental dos que deixam de sair de casa para ver a novela, vieram os comerciais e o jornal nacional.

Preparei um Bloody Mary (com maiúsculas mesmo) e me perguntei o que faria um homem demorar mais de 1 hora para se arrumar. O pensamento foi substituído pelo horário eleitoral. Por incrível que pareça mais divertido que a novela.

“Olá democrata!”. Com essa frase e uma moça muito simpática fui incluída no povo que sorria lá dentro da tela se dizendo democrata. Um Brasil cheio de pessoas felizes. Escolas funcionando. Remédios gratuitos. Favelas que viravam casas. Não, isso não era um plano de governo. Isso é São Paulo hoje. Confuso? Muito confuso.

Fui salva de meus pensamentos pelo meu amigo que, muito espertinho, chegou com uma florzinha para eliminar qualquer possível bronca. Perguntei se ele assistia a novela.
Pelas diversas voltas e gagueiras, concluí que muito provavelmente os peitos da Juliana foram os culpados pelo atraso. Eu não sei ainda o que, mas tem alguma coisa errada com essa nossa “democracia”.


3 comentários:

Marco disse...

A novela realmente não é boa, mas a Juliana ...

Marcelo Coelho disse...

Algumas vezes esperar vale a pena.
Espero que seu amigo(?) tenha sido uma dessas.

Escreves muito bem,parabéns!

Anônimo disse...

bacana,hein......*