25 de julho de 2011

Amy, somente Amy Winehouse

Na primeira e única vez em que a vi, o pensamento foi “ela não se parece com ninguém, exceto ela mesma.” A voz, um vulcão, já a apresentação, rastros de uma pessoa que vive à seu modo e sem dar a mínima para ninguém, nem mesmo a nós que pagamos caro para assisti-la. Ela não pagaria nem um centavo.
Amy não se esforçava. Ela apenas vivia. Uma vida estranha, sombria e algumas vezes triste, para os nossos olhos, acostumados a ver o lado brilhante da vida de pessoas como ela. 
Nem mesmo suas roupas davam sinais de que o sucesso ou a fama compraria um pedaço de sua alma anárquica. Tive a impressão e ainda tenho de que ela era a mais pura e exata essência de si, independente dos caminhos que sua fama a levasse.
Fraca? É o que dizem. Vítima das drogas? Viciada? Maluca?
Há sempre uma desculpa e uma muleta para a maioria, aquela que, Nelson Rodrigues chamou de burra.
Se tem uma palavra que a meu ver não se aplica a Amy, é vitima. A vida talvez tenha sido sua vítima. A fama, a arte, “os coxinhas”, como sabiamente descreveu Marcio Pimenta em seu ótimo texto.
Mas vítima? Que tipo de vítima quebra regras, ignora o mundo, faz tudo ao contrário do que a “sabedoria popular” impõe e ainda sim vende milhões de álbuns?
Ela se foi aos 27. “Morte anunciada”, seja qual for a manchete clichê que alguns escolham colocar nos jornais, mas com ou sem drogas, o fato é que ela foi além. Esta moça franzina, as voltas com sua aparência real chocou o maravilhoso mundo onde estrelas sofrem sem franzir o rosto de boneca. Ela escandalizou as mocinhas com vestidos Chanel, base da Mac e óculos Tom Ford para disfarçar os sinais de noitadas em mansões de Hollywood.
Amy subia no palco do Jools Holland com a mesma naturalidade que cantava em qualquer “pé sujo” da cidade.
Se tem alguma coisa que esta cantora deixou para nós, não foi o conelho de ficar longe das drogas, foi a inspiração de ficar próximo ao que somos de fato. Deixou o que poucas pessoas públicas jamais deixarão, a realidade, seja ela como for.

Um comentário:

Márcio Menezes disse...

Perfeito, Giovanna! Ser o que realmente somos, com todas nossas angústias e imperfeições. Além da música, talvez esse seja o seu melhor legado.