1 de agosto de 2011

Simplesmente Amor

Os Noivos, Sergio e Renata.
Eu não acreditei quando minha amiga Renata falou. "Gostaria que você escrevesse o texto do meu casamento."Eu já escrevi muitas coisas, mas este pedido de deixou sem palavras. Demorei a acreditar.
Esta foi a resposta oferecida ao querido casal, Renata e Sérgio, que se casaram sábado passado com a benção escrita por esta emocionada pessoa chamada "eu".


Renata e Sérgio

De onde vem o amor ? Essa é uma investigação difícil, mas merece atenção, por isso divido com vocês meus passos.
No começo deste caminho em busca de respostas, encontro uma. A falta.
Basta estarmos longe da pessoa amada para sentir que não se pode viver daquele modo, sem a “cara metade”, como dizem.  Então o amor nasceria na falta?
É fácil encontrar casais apaixonados tentando se fundir, se completar um no outro. Mas até onde este amor elucidado num banquete platônico pode chegar?
Para sempre é uma estrada perigosa, principalmente numa época como a nossa em que o efêmero tomou o lugar do eterno. Vivemos a era da substituição, da velocidade. Quem tem tempo de consertar o que pode ser substituído?
A liberdade é a palavra da vez, mas quantas gaiolas são construídas pelas asas da independência?
Talvez  este sentimento complementar, exigente viva muito próximo ao amor, mas seu nome é paixão.
O amor não conhece súplicas, demandas. O amor é de quem sente e não de quem recebe. Amar é doar e não necessitar.

Quem ama não precisa buscar encaixe para suas falhas. O amor é impar e infinito, capaz de alojar um ou milhões, mas ele é partida e não chegada.
Amar é caminhar junto. Não é contemplar o outro, mas juntos observarem o mundo. Para o amor não basta admirar as falhas, é preciso melhorar lado a lado. É preciso seguir sempre. O amor tem calma e por isso vai mais longe.
O amor não é falta, o amor é espaço.
Por isso, festejo hoje o encontro de duas almas completas, distintas e seguras. Duas pessoas que não esperam se tornar uma, não sonham em se encaixar, mas realizam o mais simples e por isso surpreendente ato, o de escolher caminhar acompanhado. Não é preciso fazer juramentos, evocar o divino para assegurar a escolha. Porque ela é, de fato, de livre, racional e espontânea vontade e por isso mesmo verdadeira.

Trecho do livro “O Profeta” de Kalil Gibran.

ALMITRA falou de novo e disse:
- Mestre, que pensais do Casamento?
Ele respondeu, dizendo:
- Nascestes juntos,
juntos ficareis para sempre.
Ficareis juntos
quando as asas brancas da morte
dispersarem os vossos dias.
Sim. Ficareis juntos
até na silenciosa memória de Deus.
Mas que haja espaço na vossa comunhão;
e que os ventos do céu
dancem no meio de vós.
Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um empecilho:
seja antes um mar vivo
entre as praias das vossas almas.
Enchei cada um o copo do outro,
mas não bebais por um só copo.
Partilhai o pão;
mas não comais do mesmo bocado.
Cantai e dançai juntos, sede alegres;
mas permaneça cada um sozinho,
como estão sozinhas as cordas do alaúde
enquanto nelas vibra a mesma harmonia.
Dai os vossos corações;
mas não a guardar um ao outro.
Porque só a mão da Vida
pode conter os vossos corações.

Mantende-vos juntos,
mas nunca demasiado próximos:
porque os pilares do templo
elevam-se, distanciados,
e o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

"O Profeta"
de Khalil Gibran

2 comentários:

Anônimo disse...

ESPETACULAR....FOI DE ARREPIAR!!! Obrigada Gi, significou muito pra nós!!!

Alana de Abreu disse...

Haha... Eu sei de onde veio esta inspiração... Tá demais, Gio. beijos.