30 de agosto de 2006

Insensível!Geladeira!Heartless!!!

setembro 2005


Insensível!Geladeira!Heartless!
Depois de ouvir alguns insultos por não chorar pelos cantos por causa de um ou outro namoradinho, resolvo que talvez minhas amigas tenham razão e o normal seja sentir paixão. Se descabelar por amor. Ter insônia pensando em alguém. Fazer planos incluindo casinha de sapê e vestido branco.
Convencida de ser, eu, esquisita, decido entrar num grupo de terapia.
Não que eu não acredite em terapia, pelo contrario, fiz faculdade de psicologia e só não acabei porque fui morar fora. Acontece que sempre fiz terapia mais para ter alguém com quem conversar do que por tentar me curar de uma loucura qualquer, até porque sem minhas loucuras eu não saberia ser artista.
Primeiro dia, eu, calada, sentindo meio deslocada no meio de tantas emoções.Um homem de seus trinta e poucos anos, se emociona ao contar que sua mãe o mandou embora de casa, pois ela achava que já era hora dele morar sozinho. Uma choradeira!
Não adiantou eu tentar ser invisível, pois a primeira pergunta veio para mim: “O que você sente sobre isso?”Pensei em falar o que minhas amigas falariam “Achei muito bonito ver que ele tem sentimentos”Mas não consegui e soltei o que eu realmente achava: “Não deixo de admirar sua coragem em demonstrar seus sentimentos mais íntimos aqui, mas a meu ver enquanto ele sofre por isso, poderia pegar suas coisas e começar a fazer algo da sua vida, assim, quem sabe não teria tempo para ficar analisando tantas emoções, quem sabe se todos esses anos que ele diz ter passado sofrendo buscando a mãe, ele não aproveitaria melhor se fizesse algo de concreto, aprendesse algo novo, um instrumento musical por exemplo, qualquer coisa, pois acho que muito sentimento acaba atrapalhando nossas vidas”.Não preciso dizer que eles não concordaram, mas de qualquer forma eu entendi o que já imaginava. Na vida ou você sofre pensando em possibilidades e teorias, ou cria suas próprias oportunidades. Eu, ainda prefiro ser uma geladeira à sair chorando as pitangas por ai porque não ganhei um abraço da mamãe antes de dormir. “Quem sabe faz a hora e não espera acontecer”.

Um comentário:

Maria Regina Pinto de Souza-GIPS disse...

SENTIMENTOS

Às vezes fico pensando se a vida, através das frustrações e desencontros nos ensina a nos protegermos, ocultar os sentimentos ou se simplesmente nascemos assim, mais ou menos sensíveis.
Na maioria das vezes não demonstramos os sentimentos por medo, receio de nos mostramos vulneráveis ou fragilizados. Evitar sofrimento mesmo. Mas frágeis como, para quem?
Quem já sentiu aquela dor lá dentro, que arrasa, dói, quase destrói e tira o fôlego sabe do que estou falando.
Ficamos desconfiados.
Aprendemos então a nos conhecer, tentamos entender o que passa na cabeça e no coração. Amadurecemos.
Assim, temos cada vez mais claro o que queremos e o que não queremos.
Portanto, talvez não sejamos geladeiras. Sentimos. Só aprendemos a identificar o sentimento para melhor lidarmos com ele.

Gips
30 agosto de 2006