5 de dezembro de 2006

"Em busca do tempo perdido"


Depois de alguns dias de guerra com a speed, este blog volta a vida normal...

Dezembro chegou, como sempre, mais rápido do que imaginávamos.
É incrível, como o tempo, embora digam ser regular, parece correr cada vez mais rápido.


E nós, que não somos os mesmos, estamos mais lentos, ainda que munidos da tecnologia, esta, mais rápida que o tempo. É o paradoxo da ansiedade.

Nós, da geração que sonhava com uma vitrola nova no natal, filhos de pessoas que desenrolavam seus drops dulcora em histórias de bicho-papão, estamos envelhecendo antes de viver.

Ainda que vivamos cada vez mais, os anos se encolhem de tal forma que a ansiedade sobre o futuro, destrói o presente.
Quantas vezes ouvimos “O futuro é agora, não deixe para amanhã”?
Estamos perdidos entre os tempos do verbo ser.

Nós "seremos" ou "fomos". Não somos mais nada.
Nosso presente foi engolido pelo passado e pelo futuro.
A informação, fantasiada de ansiedade, não nos dá mais o direito de pensar, de procurar e decidir.
A informação é tanta que optamos pela sorte.

Meu sobrinho adolescente contou sobre o trabalho de final de ano, estava pesquisando a colonização e industrialização do Brasil.
Lembrei logo da enciclopédia Barça, do Atlas e dos passeios com a escola à Ouro Preto, museu do índio, metalúrgicas...

Eu copiava os desenhos com papel carbono (alguém ainda usa o papel carbono?). Passava horas escrevendo tudo e se errava, era só passar liquid paper.

Meu sobrinho não escreve desde a última listinha de natal.
Enciclopédia para ele, é alguma palavras difícil usada por professoras só para complicar, e pesquisa significa internet, cópia e impressão.

O que eu levava dias para fazer, ele faz em minutos.
Daí a pergunta volta a me assombrar.
Onde foi parar o tempo economizado com toda essa tecnologia?

O que aconteceu com aquele tempo que ainda sobrava para dar corda nos relógios de bolso que nunca atrasava?
Para onde foram às férias tiradas em Rolleiflex e aplaudidas no slide, numa tarde de groselha com biscoitos piraquê?

“Em busca do tempo perdido”, estou tentando encontrar algumas respostas.
Por enquanto, Proust me deu ótimas perguntas e mais vontade encontrar tempo para ler mais e melhor.


7 comentários:

Bruno Soares disse...

Meus parabéns pelo seu post. É verdade, muitas coisas foram se acabando por causa desta tecnologia espantosa em que vivemos hoje. Abraços!

Márcio Pimenta disse...

Oi Giovanna,

Víviamos mais né?

O blog está lindo como sempre. Quando quero paz é para este cantinho que eu venho.

Beijos!

Aline disse...

Giovanna,

Está muito legal seu blog... e definitivamente onde vai parar o tempo... nossa...

é isso! nota 10!

Nao tem Sentido disse...

que tempo bom, que não volta nunca mais...parabéns eplo blog!!!

Mariana disse...

Parabéns pelo blog! Adorei!

Quanto ao tempo perdido, realmente, sendo jovens ou não, não temos "todo o tempo do mundo"...rs

Confesso que quando tenho um tempo livre fico agoniada às vezes. É mole??

bruni... disse...

A internet ajuda, mas tira muito da gente...
Tudo fica no computador, tudo é internet...
Esses dias comprei uma agenda pra escrever e visitar clientes, já tinha esquecido que escrever é bom, e faz bem pra mente...
Comecei a sentir essa pressa que o tempo tem de uns tempos pra cá...
Agora o speedy... Somos dois... Não aguento mais ligar na telefonica...

André disse...

Para recuperar o tempo perdido, faça como Proust e continue escrevendo/criando.