21 de janeiro de 2007

Eu menina

Ainda não completei nove anos, talvez por isso as pessoas à minha volta insistam em dizer que a minha vida ainda nem começou.
Não penso muito no passado, é verdade, mas sonho com meu futuro.
Sonho ser uma mulher de trinta anos para poder viajar o mundo todo, falar várias línguas e ter amigos em toda parte.
Posso imaginar uma casa só minha onde as flores estejam sempre brotando. Onde eu chame amigos para comer as delicias que aprenderei a fazer em minhas viagens...
Estou na terceira série de um colégio de padres. Não gosto de estudar, ainda não sei que os livros, estes pesos inúteis, que sonho jogar no lixo no final do ano, serão no futuro meu maior pecado consumista.
Eu ainda não sei de muita coisa, mas principalmente de que muito do que eu saberei no futuro nasceu aqui.
Não sei, por exemplo, que por causa da aula de história sobre mitologia grega da professora Maria Antonia, eu vou passar muitos anos em NY, afinal cfoi lá que aprendi a amar mitologia.

Escolherei a Grécia como inspiração para a exposição que irá me levar para NY.
Sentada sobre uma árvore de damas da noite, rio e choro com minhas amigas, sem saber que aquele perfume terá sempre o gosto das risadas.
Não gosto muito de brincar de boneca, prefiro brincar de caça ao tesouro ou de Indiana Jones com os meninos.
De vez em quando volto com os joelhos esfolados ou toda suja de terra e as meninas riem dizendo que sou estranha.
Por causa disso, muitas vezes brinco com as meninas sem querer.
Acredito em príncipes, mas ainda não sei que se eles existissem e fossem como nos contos de fadas, eu não suportaria viver com eles, assim como não gosto de brincar de bonecas.
Acredito que meus amigos estarão para sempre por perto. Não sei que, pouco a pouco, a vida irá nos separar que vinte anos depois, sentirei uma saudade louca desse tempo e desses amigos que já não saberei mais onde estão.
A música que escuto é de vinil e ainda brinco na rua, sem saber que quando eu for a mulher de trinta que sonhei, nem a rua segura e nem a vitrola serão fáceis de encontrar.
Sou uma menina que não vê a hora de crescer, que quer ser independente a qualquer custo. Mas o que eu não sei, é que no dia em que for tudo isso que sonhei, sentirei muitas saudades da menina que eu fui...

Um comentário:

Caco disse...

Isto foi exorcizado, não? Meio que falar num divã de analista...
O resultado é que a gente sempre se entende um pouquinho mais depois de escrever algo assim, não.

Beijo & stay inspiring...