23 de abril de 2007

Ordem na casa


- Eu tenho embalagens de maisena de 20 anos atrás!
- E eu, imagina, aparelhos de telefone, calculadoras, computadores, todos quebrados. Tenho dó de jogar fora e acabo guardando, algum dia, quem sabe, posso desmontar tudo e fazer uma escultura. Não guardo mais por falta de espaço.

Eu tenho um depósito vazio!
Com essa frase, causei silêncio na mesa mais agitada do restaurante Rodeio.

Como a maioria de vocês, meu tempo é mais rápido que a razão e acabava guardando muita coisa inútil, imaginando ser útil algum dia, quem sabe antes de eu partir dessa, para a que dizem ser melhor.

Casa em reforma, piso quebrado, e falta de espaço me obrigaram a ter apenas o que é importante (comprovadamente!) e será usado muitas vezes. Com um paninho na mão e um vidro de álcool (tenho uma relação especial com esse liquido, não gosto do gel, moderninho, nem dos novos produtos de limpeza, cada um para um lugar diferente. O Álcool, além de me lembrar a infância, dá a impressão de eliminar a vida de qualquer bactéria intrometida, isso sem contar na sensação geladinha de limpeza!).
A Sol, minha empregada, acha que fita metrica , paninho perfex e álcool, são utensílios pessoais e guarda sempre em meu quarto. Só mais um parênteses, nada de usar as siglas TOC para me definir,ok?

Voltando ao papo com cheiro de churrasco. Fui literalmente, arrancada de dentro do depósito, com vidrinho de álcool e tudo!
Uma pessoa muito querida (viu, você foi citado em meu blog), acreditando estar me perdendo por culpa da bagunça, ou da mania de ordem, me colocou onde eu gostaria de estar e não sabia.

Almocei aquela picanha deliciosa, muito bem acompanhada (nós duas), palmito assado, saladinha e arroz biru biru e ainda vi algumas pessoas queridas e, comprovadamente importantes. O choque se deu quando contei sobre a limpeza. Depois de alguns dias andando e tentando encontrar lugares para toda a tralha que acumulei, tive uma idéia.
Doar tudo o que eu tivesse uma pequena dúvida quanto à extrema importância.

Isso inclui impressora funcionando, fax, também funcionando mas obsoletos, enceradeira (alguém ainda usa isso?), caixas e caixas com lembranças e mapas de todas as cidades por onde já passei um dia (morei 7 anos fora e a maior parte do tempo estive viajando, dá para imaginar a quantidade de mapas?). Várias tintas vencidas ou secas. Roupas horríveis (será que algum dia já usei alguma delas, socorro!). Não vou falar sobre tudo o que joguei, ou corro o risco de achar, que também este post está ocupando muito espaço e aí vocês imaginam qual será o destino dele.

Depois de vários dias nessa limpeza espiritual, já sinto os resultados. Estou dormindo melhor. Graças à visita que fiz aos cantos mais escuros, descobri lugares mais calmos. Coloquei meu kit jardinagem para funcionar. Ganhei um lugar para meditar e ler perto das minhas orquídeas.

Joguei fora preocupações, depois de concluir que não iriam muito longe. Limpei pessoas, guardadas num depósito já sem espaço, e doei futilidades, substituídas por problemas reais que só precisavam de espaço e atenção.

O melhor foi descobrir o piso do depósito, de ladrilhos antigos.
Lembram da época de escola? Só o vácuo é um espaço sem nada. Meu depósito vazio, está cheio de atitudes.
Caso você se inspire e resolva doar suas desutilidades, procure o Lar Escola São Francisco, eles retiram tudo em casa.


5 comentários:

Fábio disse...

Nossa. Difícil tomar uma atitude dessas. Sou uma pessoa muito apegada a coisas materiais, ainda mais, quando essas me trazem boas lembranças.

Mas, quem sabe um dia eu não empacote tudo e acabe por dar um fim certo para eles.

Abraços e bem-vinda a nova vida! :)

Anônimo disse...

....amei o jardinzinho novo, viu gata...bjos em vc

Anônimo disse...

Muito bom esse post! Gostei especialmente da referencia que você faz a saber onde estamos pisando.(descobrir o chão do depósito).
O que nunca conseguimos jogar fora. Você me fez pensar.
Esta é uma das características que mais gosto na forma como escreve. A ambiguidade. O duplo sentido. Sua arte está presente também quando escreve, nas nuances escondidas em cada pensamento.

que bom começar a semana com um texto seu.

um forte abraço Marcelo

Cíntia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cintia disse...

Agora sim...

Oi Giovana
Vi teu blog no orkut e resolvi dar uma bisbilhotada. Adorei, o blog e o post. :)
Eu sei bem o trabalho que dá jogar-fora-tudo-que-não-presta... rs... em todos os sentidos... também tô tentando, mas tá difícil! Enfim...
Beijos e buenna estrella.