28 de junho de 2007

Brakfast at subway

O americano (digo americano por força do habito, mas me refiro àqueles que moram no andar de cima do mapa das Américas), gosta muito de ler, mas lê pouca literatura.Quando lembro das viagens diárias de metro, vem logo a imagem de uma típica americana, moradora do Brooklyn que pegava o N,R, linha amarela, todos os dias na mesma hora que eu.

Depois de me deliciar com os gigantes cientificamente criados, os strawberries da Deli vizinha, comprava o NY Times e um chá e levava para o trem, onde sozinha, me sentia acompanhada da mulher que como eu tinha pressa para tomar o café da manhã, bagel, cinnamoroll e um copo gigante de café que provavelmente seria reabastecido várias vezes durante o dia. Morando em NY, fica fácil entender porque os Tartarugas Ninja escolheram o metrô para viver.

Nunca conversei com Mrs. Big B.(Big Brown), mas como todos já sabem, NY enlouquece as pessoas. Não poderia ser diferente comigo. Ela, a gorducha simpática de 250KG era minha amiga “visível”, embora para ela, eu fosse totalmente invisível.

Na época, apesar de gostar de ler, eu não tinha muito tempo sobrando, vivia ocupadíssima de manhã, me recuperando das festas imperdíveis de um tempo perdido, que hoje, entendo o quanto me foi útil, afinal nem tudo o que é fútil é supérfluo.

O fato é que a Mrs. Big Brown permeou minhas estações e ressacas com uma literatura típica americana. Ela foi o retrato mais fiel do que muitos chamam de “American Dream”. Eu via em seus livros e revistas suas aspirações e planos. Como fazem planos os americanos. A viagem dos sonhos, o Hawaii passou por alguns guias, logo esquecidos com a nova realidade da família que cresceria em breve. Vi a ansiedade de uma avó em busca de mais espaço para a filha, praticamente uma menina, que grávida, se encostava no ombro da mãe atenta ao folheto imobiliário.Testemunhei a dor e a felicidade no rosto cansado ou com vestígios de festa.

Depois de anos de um convívio singular, chegou o dia de eu voltar. Como de costume, liguei para meus amigos, fizemos uma despedida. Fui à todos os lugares, onde imaginei, sentiria saudades e acordei cedo para pegar o metrô. Como de costume ela estava lá. Entrei, e a cumprimentei como se fossemos velhas conhecidas. Ela retribuiu o olhar com o ar de quem está acostumada com pessoas estranhas. Sentei no banco a seu lado e em silencio contei minha história. Ouvi a sua e sem palavras me despedi de uma das melhores companhias que já tive para o café da manhã.

2 comentários:

Wanderson "Wans" disse...

Giovanna, seu post é uma janela para aqueles que vivem enfurnados aqui na nossa terrinha. É um tour virtual. Continue escrevendo e nos contando suas experiências.
Beijo.

Gips disse...

Gi,
Adorei. Exatamente o quadro que visualizamos at "America". How they say.
Bagels a parte, o país funciona. Pouca cultura concordo; noção de geografia, bogabem. Para eles talvez não faça a menor falta por nem terem conhecimento do que seja...
Mesmo assim gosto dos americanos e dos USA...
Beijos