11 de setembro de 2007

Quebrando o protocolo

Algumas gotas avermelhadas manchavam a toalha impecavelmente colocada sobre o prato de porcines grelhados com pinolis e azeite truffado. Vieiras, camarões e lagostins faziam a abertura do show até a chegada do Caballo Loco numero 4.
Deste lado,cheia de falta de luxo, usando havaianas e roupa de quem chegava da praia, eu olhava para aquela orgia gastronômica e pensava em todas as ambigüidades que fazem o que já é bom ainda mais especial.

Este é o caso do Caballo Loco (o vinho, não o Renam ou outro maluco qualquer). Os vinhos normalmente trazem o ano, a safra em que foram produzidos. O Caballo Loco não. Seu proprietário, Jorge Coderch já tinha tudo, mas ainda não tinha o poder de quebrar o protocolo até o dia em que decidiu fazer jus à seu apelido e melhorar o que diziam, já estava bom. Este vinho é especial por muitos motivos, um deles é o fato de a cada safra ser enriquecido com uma fração do ano anterior, aperfeiçoando uma “assemblage” cada vez mais extraordinária.

Dizem os que se dizem "experts", que este vinho tem uma cor rubi profunda, puxando para o roxo, com aromas de menta, especiarias, madeira na medida e bla bla bla... Eu digo que tomar este vinho faz com que as delicias raras se tornem uma inequívoca quebra de protocolo. Não sei se a cor, os aromas ou o buquê são de pêra, maçã ou menta, mas uma coisa garanto, poder apreciar o melhor sem ter que seguir protocolos e pessoas faz sentir o que é um Caballo Loco.

Mais uma vez tenho a certeza de que conhecer boas coisas não é o suficiente para aproveitá-las. Bom mesmo é saber o que é bom sem se esquecer que o que importa é gostar e não seguir. Cavalo que corre bem, corre na frente, seja no grande premio ou no mato a caminho do rio, sem sela nem freio...

2 comentários:

julio de castro disse...

uma experiência estética?

Márcio Pimenta disse...

Nossa, finalizou o post com muito, muito estilo!!!

Beijos.