11 de outubro de 2007

Dia das crianças pós-modernas

Tudo muda o tempo todo no mundo, já cantava Lulu em meus tempos de menina. Ser criança hoje não é coisa para qualquer um. Tem que ser muito adulto para poder ser criança.
Ah que saudades do tempo em que ser criança era ter medo da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Criança hoje tem medo de bala perdida, de ônibus que pega fogo e por aí vai.

E as mudanças continuam. Quem ouviu balão mágico e pegou carona na cauda do cometa, seguramente já teve uma Caloi-Ceci (assim com maiúscula mesmo, afinal era minha melhor amiga)ou uma moto cross. Rua era lugar onde fazíamos amigos e de vez em quando inimigos também, quantas vezes não voltávamos para casa com joelho esfolado, roupa suja e lagrima presa no canto do olho? Ah que saudades das dores ingênuas, das ruas tranqüilas, do brigadeiro na calçada e do chocolate de cigarrinho da Pan.

Escola era lugar para estudar. Mas estudar não significava ser o melhor no futuro. A competição estava na escola, é claro, mas era na quadra que lutávamos com armas que crianças deveriam usar. Criança não tinha que aprender 3 línguas. Aprendíamos a brincar, afinal éramos crianças.

Se não me engano alguma coisa mudou hoje. Os caras que aprendi na escola trabalhavam pelo pai,s vivem num parquinho de diversões chamado Brasília. Os adultos que em minha ingênua crença deveriam fazer primeiro os deveres e depois as cobranças, inverteram tudo e saem por ai montando barraquinhas e cobrando um pedacinho de terra para pendurar a rede.

E as crianças? Continuam brincando, só que agora com armas, computadores mais complexos do que os que eu sei usar. As crianças também fazem outras crianças e cada dia mais cedo. O cigarrinho de chocolate sumiu do mapa, mas outros cigarros estão a solta por aí nas ruas que agora não esfolam mais o joelho de ninguém, afinal criança agora vive presa atrás das grades da casa, da escola e do carro com vidros pretos.

Mas e aí, me perguntam. Você acha que nada melhorou? Opa melhorou sim.
O mertiolate hoje não arde!




3 comentários:

Pedro - RJ disse...

Boas lembranças de um tempo muito bom. Saudade das inúmeras vezes que meu avô me levou p/ pescar, do meu esconderijo secreto na fazenda (nem era tão secreto assim ..rs), dos carrinhos de fricção.
Hoje as crianças perdem a infância nas casas de farinha, nas lavouras, nas carvoarias, nos sinais de trânsito. As crianças pós-modernas não têm a chance de serem crianças ...

Bom feriado Giovanna ... grande beijo

Jade disse...

mas não é melhora!


bom é quando o merthiolate ardia, que tava "matando os microbrios"



=D

julio de castro disse...

bons tempos aqueles em que uma criança podia pedalar por todo o bairro sem se preocupar com nada além de perder a hora do almoço...

ahn, sim: triste é ser alérgico a mercuro e ter sido na época em que mertiolate ardia.